segunda-feira, 12 de março de 2012

DICAS PARA LIDAR COM CRIANÇAS DISLÉXICAS

Atenção, pessoal!! Já vi muita gente confundindo dificuldades de ortografia com dislexia. Fiz uma seleção de materiais e estou postando com as respectivas fontes para auxiliar a todos que estão com essas dúvidas. Até a próxima.


DICAS PARA LIDAR COM PESSOAS DISLÉXICAS
http://dislexia.zip.net/
Muitas vezes uma dificuldade na aprendizagem da Matemática está mais relacionada à compreensão do enunciado do que ao processo operatório da solução do problema. Os disléxicos, em geral, sofrem também de discalculia – dificuldade de calcular – porque encontram dificuldade de compreender os enunciados das questões.
Uma criança disléxica encontra dificuldade para ler e as frustrações acumuladas podem conduzir a comportamentos anti-sociais, à agressividade e a uma situação de marginalização progressiva.

Pais, professores e educadores devem estar atentos a dois importantes indicadores para o diagnóstico precoce da dislexia: a história pessoal do aluno e as suas manifestações lingüísticas nas aulas de leitura e escrita.
Em geral, a história pessoal de um disléxico traz traços comuns, como o atraso na aquisição da linguagem, atrasos na locomoção e problemas de dominância lateral.
A seguir algumas das características mais comuns:

A criança é inteligente e criativa – mas tem dificuldades em leitura, escrita e soletração.
Costuma ser rotulado de imaturo ou preguiçoso.
Obtém bons resultados em provas orais, mas não em avaliações escritas.
Tem baixa auto-estima e se sente incapaz.
Tem habilidade em áreas como arte, música, teatro e esporte.
Parece estar sempre sonhando acordado.
É desatento ou hiperativo
Aprende mais facilmente fazendo experimentos, observações e usando recursos visuais.

Visão, leitura e soletração:
Reclama de enjôos, dores de cabeça ou estômago quando lê.
Faz confusões.  Quando lê ou escreve comete erros de repetição, adição ou substituição.
Diz que vê ou sente um movimento inexistente quando lê, escreve ou faz cópia.
Parece ter dificuldades de visão, mas exames de vista não mostram o problema.
Lê repetidas vezes sem entender o texto.
Sua ortografia é inconstante.

Audição e linguagem:

É facilmente distraído por sons.
Tem dificuldades em colocar os pensamentos em palavras. Às vezes pronuncia de forma errada palavras longas.
Escrita e habilidades motoras:
Dificuldades com cópia e escrita. Sua letra muitas vezes é ilegível.
Pode ser ambidestro. Com freqüência confunde direita e esquerda ou acima e abaixo.

Matemática e gerenciamento do tempo:
Tem problemas para dizer a hora, controlar seus horários e ser pontual.
Depende dos dedos ou outros objetos para contar. Muitas vezes sabe a resposta, mas não consegue demonstrá-la no papel.
Faz exercícios de aritmética, mas considera difícil problemas com enunciados.
Tem dificuldade em lidar com dinheiro.

Memória e cognição:
Excelente memória a longo prazo para experiências, lugares e rostos. No entanto têm memória ruim para seqüências e informações que não vivenciou.
Fonte: Dyslexia The Gift www.dyslexia.com


SINAIS DE ALERTA

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071208055541AAeadpv

Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma "criança de risco".

Haverá sempre:
dificuldades com a linguagem e escrita;
dificuldades em escrever;
dificuldades com a ortografia;
lentidão na aprendizagem da leitura;

Haverá muitas vezes :
disgrafia (letra feia);
discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização;
dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar seqüências de tarefas complexas;
dificuldades para compreender textos escritos;
dificuldades em aprender uma segunda língua.

Haverá às vezes:
dificuldades com a linguagem falada;
dificuldade com a percepção espacial;
confusão entre direita e esquerda.

Idade Escolar

 http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071208055541AAeadpv
Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo emocional:

Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita;
Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
Desatenção e dispersão;
Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica,dança,etc.);
Desorganização geral: podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;
Confusão entre esquerda e direita;
Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc.
Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc.
Dificuldades em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..
Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias) Troca de letras na escrita;
Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o "palhaço da turma";
Bom desempenho em provas orais.
Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e conseqüentemente sociais e profissionais.

Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia).

Depois de Diagnosticada a Dislexia.

Neste processo ainda é muito importante tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente.

Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por escrito.
Sendo diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes.

Conhecendo as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva.

Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades, encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente.

Outro passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores. É o que chamamos de sistema MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO.

Também é de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família.

Disponibilizado em: 20/06/2007.






Consulte também:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dislexia
Atualmente, os investigadores na área de Psicolingüística aplicada à educação escolar apresentam a hipótese de déficit fonológico como a que justificaria, por exemplo, o aparecimento de disléxicos com confusão espacial e articulatória.
Desse modo, são considerados sintomas da dislexia relativos à leitura e escrita os seguintes erros:
  • erros por confusões na proximidade especial:
  • confusões por proximidade articulatória e seqüelas de distúrbios de fala:
    • a) confusões por proximidade articulatória;
    • b) omissões de grafemas, e
    • c) omissões de sílabas.
As características lingüísticas, envolvendo as habilidades de leitura e escrita, mais marcantes das crianças disléxicas, são:
  • a acumulação e persistência de seus erros de soletração ao ler e de ortografia ao escrever;
  • confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia: a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u; etc;
  • confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; w-m; a-e;
  • confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum, e, cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x;c-g;m-b-p; v-f;
  • inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-pla.
Segundo Mabel Condemarín (1987, p.23), outras perturbações da aprendizagem podem acompanhar os disléxicos,:
  • Alterações na memória
  • Alterações na memória de séries e seqüências
  • Orientação direita-esquerda
  • Linguagem escrita
  • Dificuldades em matemática
  • Confusão com relação às tarefas escolares
  • Pobreza de vocabulário
  • Escassez de conhecimentos prévios (memória de longo prazo)
Agora, uma pergunta pode advir: Quais as causas ou fatores de ordem pedagógico-lingüística que favorecem a aparição das dislexias?
De modo geral, indicaremos as causas de ordem pedagógica, a começar por:
Atuação de docente não qualificado para o ensino da língua materna (por exemplo, um professor ou professora sem formação superior na área de magistério escolar ou sem formação pedagógica, em nível médio, que desconheça a fonologia aplicada à alfabetização ou conhecimentos lingüísticos e metalingüísticos aplicados aos processos de leitura e escrita).
  • Crianças com tendência à inversão
  • Crianças com deficiência de memória de curto prazo
  • Crianças com dificuldades na discriminação de fonemas (vogais e consoantes)
  • Vocabulário pobre
  • Alterações na relação figura-fundo
  • Conflitos emocionais
  • O meio social
  • As crianças com dislalia
  • Crianças com lesão cerebral
No caso da criança em idade escolar, a Psicolingüística define a dislexia como um fracasso inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da escrita (disgrafia) e da ortografia (disortografia) na idade prevista em que essas habilidades já devem ser automatizadas. É o que se denomina de dislexia de desenvolvimento.
No caso de adulto, tais dificuldades quando ocorrem depois de um acidente vascular cerebral (AVC) ou traumatismo cerebral, dizemos que se trata de dislexia adquirida.
A dislexia, como dificuldade de aprendizagem, verificada na educação escolar, é um distúrbio de leitura e de escrita que ocorre na educação infantil e no ensino fundamental. Em geral, a criança tem dificuldade em aprender a ler e escrever e, especialmente, em escrever corretamente sem erros de ortografia, mesmo tendo o Quociente de Inteligência (QI) acima da média.
Além do QI acima da média, o psicólogo Jesus Nicasio García, assinala que devem ser excluídas do diagnóstico do transtorno da leitura as crianças com deficiência mental, com escolarização escassa ou inadequada e com déficits auditivos ou visuais (1998, p. 144).
Tomando por base a proposta de Mabel Condemarín (l989, p. 55), a dificuldade de aprendizagem relacionada com a linguagem (leitura, escrita e ortografia), pode ser inicial e informalmente (um diagnóstico mais preciso deve ser feito e confirmado por neurolingüista) diagnosticada pelo professor da língua materna, com formação na área de Letras e com habilitação em Pedagogia, que pode vir a realizar uma medição da velocidade da leitura da criança, utilizando, para tanto, a seguinte ficha de observação, com as seguintes questões a serem prontamente respondidas:
  • A criança movimenta os lábios ou murmura ao ler?
  • A criança movimenta a cabeça ao longo da linha?
  • Sua leitura silenciosa é mais rápida que a oral ou mantém o mesmo ritmo de velocidade?
  • A criança segue a linha com o dedo?
  • A criança faz excessivas fixações do olho ao longo da linha impressa?
  • A criança demonstra excessiva tensão ao ler?
  • A criança efetua excessivos retrocessos da vista ao ler?
Para o exame dos dois últimos pontos, é recomendável que o professor coloque um espelho do lado posto da página que a criança lê. O professor coloca-se atrás e nessa posição pode olhar no espelho os movimentos dos olhos da criança.
O cloze, que consiste em pedir à criança para completar certas palavras omitidas no texto, pode ser importante aliado para o professor de língua materna determinar o nível de compreensibilidade do material de leitura (ALLIENDE: 1987, p.144)
Fonte: Martins, Vicente. A dislexia em sala de aula . In PINTO, Maria Alice Leite. (Org.). Psicopedagogia: diversas faces, múltiplos olhares. São Paulo: Olho d"áGUA, 2003

sábado, 18 de fevereiro de 2012

ENTENDENDO O ADOLESCENTE!!

Já atuei com adolescentes durante 20 anos e aprendi muitas coisas com eles. Os adultos têm uma forte tendência de chamá-los de aborrescentes e me pergunto: aqueles que os vêem assim não foram aborrescentes porque tiveram uma criação num período onde os pais sequer dialogavam com os filhos.

Vamos recordar um pouquinho:chegava visita em casa e as crianças e os adolescentes na maioria das vezes eram convidados a se retirar do ambiente, como se não pudessem ouvir o que ali iria se tratar. Olha só, que coisa mais estranha! Não tem como evitar de pensar: não querem nossa presença, vão falar de nós, só pode! E assim foi por muitos anos. Os ditos adolescentes do período da ditadura não tinham a chance de participar, dar sua opinião, ser ouvido. Tinham muito medo, o que é diferente de respeito. Hoje temos uma geração muito diferente.

O que os pais não podem esquecer é que o seu papel continua sendo o de serem pais e não os amigos dos filhos, esse é o caminho onde se apresenta um âmbito delicado e onde muitas familias se perdem. Os filhos precisam receber o limite, assim como aprender a ouvir um "não", pois isso não representa deixar de amá-los, pelo contrário. Voltando no tempo um pouquinho, temos consciência de que uma grande maioria dos pais passou muito trabalho para chegar onde chegaram. Muitos não puderam estudar em escola particular e seu sonho hoje é ver o filho recebendo uma boa educação.

Deixando claro novamente que a educação deve vir de casa. A escola vai lhes orientar e lhes conduzir nas demais aprendizagens, envolvendo aspectos cognitivos, relacionais, socioafetivos, entre outros. Vejo adolescentes que tratam seus pais como se fossem seus empregados,tamanha a falta de respeito verbalizada e ainda assim considero um absurdo, pois mesmo o empregado precisa e deve ser tratado com muito respeito. Onde estão os valores e os princípios das famílias modernas?

Pais, está mais do que na hora de conversarem com seus filhos, eles precisam e querem isso. Os pais não podem ser tão distantes. Sei perfeitamente a correria do mundo atual, mas isso não impede que a mãe ou o pai sentem com o filho, lhe façam um carinho, passem a mão na sua cabeça, um abraço no ombro.Pessoal, isso é ser gente! Dizer para o filho que o amamos é imprescindível. Aí vão me dizer:" Tu estás louca? Eles não querem que a gente chegue perto nem no colégio.Querem distância!" -Na escola querem se autoafirmar, mas em casa eles têm essa necessidade. Os pais também querem continuar se sentindo amados.

O adolescente sabe reconhecer quando ele está sendo respeitado, ouvido, onde existe uma relação de confiança e de amor de verdade. Eles nos procuram, desabafam, tem os momentos de conflitos, evidente, pois estão numa passagem difícil na vida, perdendo um corpo infantil para que o corpo adulto tome conta e a mente nem sempre acompanha esse processo. Ficam com estaturas gigantes e pensando e agindo como se fossem crianças. E é nesse ponto que os familiares se perdem e exigem a postura madura quando muitas vezes eles ainda não têm.

Sou contra que sejam presenteados a todo instante, eles precisam saber que tem que fazer por merecer, senão a vida fica sem objetivos e o risco do encontro com as drogas torna-se um grande atrativo, portanto, atenção! Dizer o "não" para a festinha, ou para a compra de sei lá o que, é necessário. Podem reclamar no momento, passada a fúria, senta-se com o adolescente e se pontua o que está pensando. Ouvi-lo é o grande ganho.

Muitos dos adultos que hoje estão na faixa dos 40 aos 55 anos não tiveram chance de se manifestar, de opinar. Isto não quer dizer que vamos agir com os filhos da mesma forma que agiram conosco. Cada geração terá suas características, suas inovações tecnológicas, mas todas terão a relação interpessoal e intrapessoal sempre. Por isso ainda é tempo de resgatar a relação tão bonita que se estabelece entre pais e filhos. Filhos que respeitam os pais e vice versa são o maior presente para a humanidade. Saberão respeitar a todos que os rodeiam.E se posicionar também, porém sem estupidez.
                                                       Vera Magnaguagno-Or.Educacional e Psicopedagoga

IMPORTÂNCIA DA CONFIANÇA NA CRIANÇA AO CHEGAR NO PRIMEIRO ANO

Por diversos anos tive a oportunidade de acompanhar e orientar as famílias cujos filhos estavam ingressando no primeiro ano do ensino fundamental. É um momento que realmente marca, as emoções vêm à tona, os pais tiram milhões de fotos de cada movimento que a criança realiza na fila. Existem as famílias que choram, mil lembranças devem vir às suas memórias, enfim. Nota-se que, os que mais vibram e se emocionam de fato são os adultos, pois para as crianças não deixa de ser mais um momento onde eles reencontram amigos ou fazem novas amizades, desfilam suas mochilas novas, tênis com luzes  e o que vier pela frente eles enfrentam brincando. É aí que muitas vezes começa  o ladinho mais delicado da vivência. Por que usar o termo delicado? Porque os processos começam a se desenvolver de forma lúdica e nem sempre o brincar apresenta a clareza do que representa para todos os responsáveis.

Os momentos onde as crianças desenvolvem atividades envolvendo jogos, sejam livres ou orientados, lhes permitem estruturar o pensamento, o qual será posteriormente registrado, de acordo com as fases, no papel, entendendo as sílabas, palavras, frases e escrevendo os textos. Ou seja, brincar não é perda de tempo, é ganho e construção de significado para todo ser humano. É apropriar-se do que faz, é entender realmente como isso ou aquilo acontece, é sentir-se pertencente. Está bem, mas e a delicadeza, onde está? Para muitas pessoas adultas, que não tiveram a alegria de aprender dessa forma, onde desde o primeiro dia de aula já as fizeram escrever direto no caderno de linhas, pode parecer que a aula não está acontecendo. Atualmente as escolas preparam muito bem as crianças, as quais geralmente já saem da educação infantil alfabetizadas, mas isso não quer dizer que seja uma regra. Tem aquelas que chegam sem saber escrever nada ainda e é preciso incentivar a todos para que se ajudem e aprendam. Cada ser humano tem um tempo, um ritmo e vai estabelecer as conexões de compreensão levando muito em consideração tudo o que acontece no seu entorno. Isto é, a  criança vai se autorizar a aprender dependendo da forma como for tratada tanto na família, quanto com os amigos, parentes, escola, etc. Tudo o que os pequenos escutam das outras pessoas, vai fazendo com que elabore um perfil de si, como os outros o percebem. Quantas crianças muitas vezes não se autorizam a escrever e nem a desenhar nada, porque lá um dia foi chamada de "burra", "bocó", "tudo que tu faz está errado", "olha só que porcaria", "não dá para entender nada", entre outros. O primeiro ano do ensino fundamental é o período onde a criança vai começar a produzir mais e ter a chance de mostrar para quem quiser o que produziu. Nesse momento é fundamental que as suas produções, mesmo com trocas ortográficas, sejam valorizadas. O inicio do processo acontece naturalmente com trocas ortográficas, onde geralmente as crianças tendem a registrar mais as vogais, pois são os sons mais familiares. Uma palavra pode ser "escrita" contendo apenas vogais, e cabe ao professor lhe mostrar o que está escrevendo, solicitando sempre a participação da criança, assim haverá pouco a pouco a compreensão do processo completo. Evitar comparações: como é que o filho do meu amigo, que é mais novo, já está lendo? Aí é que devemos ter um cuidado redobrado, os pequenos escutam e começam a sentir-se menos valorizados e incapazes. Lembrar sempre que cada indivíduo carrega sua história de vida, mas possui uma elaboração que acontece de forma diferente.

O papel do adulto de ser o grande incentivador e mostrar que acredita no potencial do sujeito aprendiz é imprescindível. Nem todo caderno "bonito" é sinônimo de criança que aprendeu. Já vi cadernos lindos que eram apenas copiados do quadro sem significado e outros nem tão lindos cujas crianças sabiam escrever e criar maravilhas. Letras ou números bonitos não significam aprendizagem, o que importa é como a criança interpreta o que está sendo trabalhado com ela. Existem crianças que vão mostrar que entenderam mesmo por volta de agosto, setembro, outubro. Outras conseguem faze-lo nos meses de março, abril, maio. É relativo. O tempo é de cada um e o grau de ansiedade que muitas vezes o adulto passa para a criança, faz com que ela se desenvolva ou se trave nesse processo que não é simples, mas que para o leigo parece óbvio. Nossas crianças merecem esse olhar cuidador e serem felizes estando na escola, independente do ano que estão.