Observar é a alma do negócio. Se sabemos que temos uma criança com DDA, é imprescindível fazermos o seguinte:
1)Essa criança precisa sentar-se bem na frente, próximo ao professor.
2)Ao elaborar atividades em folhinhas, cuide para que o número de exercícios não seja extenso. Muitas vezes o mesmo número (10 exercícios por exemplo, que uma criança que não tenha dificuldade de concentração consegue resolver com tranquilidade), para aquele que se distrai é mais interessante que receba 5 exercícios de tipos diferentes, ao invés de aprender por repetição fazendo os 10 exercícios parecidos de adição por exemplo. O importante é que a criança sinta-se com capacidade de realizar o que lhe é proposto. O número elevado de questões, lhe deixa atrapalhada ao elaborar o raciocínio. Vale a pena separar os exercícios em etapas, dando 1 de cada vez, para não deixar a criança com vários na mesma folha sem saber onde os desenvolver. Separar em um tipo por folha facilita (exemplo:atividades de adição sem transporte (5+4) também é uma idéia a ser considerada, mas é preciso entregar uma folha por vez, para não assustar a criança com um bloco de folhas.À medida que ela for realizando vai recebendo as demais. Importante: o ritmo de cada criança é único e próprio. Numa próxima é interessante, que, conforme o prof. for percebendo, oferecer exercícios que tenham desafios maiores, apresentando cálculos com transporte, por exemplo.
Exercícios de adição e subtração são aconselhados a serem feitos em páginas diferentes, pois pode desorganizar o pensamento no primeiro momento.
3) Assim também acontece na hora de escrever ou ler histórias. É interessante que o professor sempre dê à criança a oportunidade de ler antes sozinha, apenas com os olhos, leitura silenciosa para se apropriar do que o texto aborda. Não se sentir sendo pega de surpresa. Sabemos que a criança com déficit tem inteligência, o que ela ainda não consegue é ter o grau de concentração por um tempo maior. A faixa etária também influencia muito nessa questão. Sua produção textual nem sempre será grande, com um número X de linhas. O fundamental é que o que conseguir produzir tenha qualidade e coesão.
4)Atenção à quantidade de exercícios propostos de tema: é necessário pensar que as atividades organizadas para serem feitas em casa, precisam ser feitas pela criança, sem cansá-la. O número excessivo de temas gera desmotivação e acaba sendo feito pelos pais, mudando o foco de quem de fato precisa fixar o conteúdo desenvolvido. Caderno cheio não é sinônimo de aprendizagem.
5)Cuidado com as expressões: "desatenta", "descomprometida"," não pensa", "não se concentra", "não pára". Existem crianças que acabam apresentando características do déficit de atenção em função de ouvirem com tanta frequencia que são assim, criando um perfil e acreditando que funcionam assim mesmo. Por isso é tão importante que essas falas sejam repensadas, especialmente pelos adultos, que estão no entorno, pois as crianças observam e vão assimilando comportamentos de acordo com as caracterísitcas que o adulto espera.
6)A questão do déficit precisa ser bastante analisada. Muitas crianças são identificadas como portadoras do déficit sem ter sido observadas por pelo menos 6 meses, saber se tem mais pessoas na família com as mesmas características.Nem sempre é caso de necessidade de medicação. As vezes é apenas situação de manejo e fundo emocional. O crédito atribuído ao potencial da criança é fundamental nessa construção da autoimagem.
7)Para crianças que estão aprendendo a escrever, o ato de soletrar facilita muito o significado da compreensão da escrita, eles vão se dando conta e os olhinhos brilham identificando as letras que precisam colocar.
8)Trabalhar as crianças a respeito da importancia de respeitar a todos os colegas é fundamental. Todos têm capacidade de vencer, porém cada um tem o seu tempo.
9)Organização é imprescindível para crianças com déficit. Ter uma rotina que organize cada momento é necessário.
10)Quando a criança mostra agenda para a família, muitas vezes o responsável diz: "deixa aí, que depois eu olho." Essa fala deixa a impressão para a criança de que os fatos referentes à ela não tem grande importância. Por isso, saliento, que as famílias procurem olhar com atenção e carinho as observações colocadas tanto no caderno, quanto na agenda do filho.